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12 de nov. de 2012

O pedido de perdão de João Paulo II – tudo o que a mídia não contou pra você

Fonte: O catequista

E aí meu povo,
Esta é a resposta a um comentário que surgiu recentemente no post “Sobre Bruxas Queimados e Neurônios Tostados“, no qual demonstramos que a Igreja jamais promoveu qualquer “caça às bruxas”.

Eis o comentário do leitor que nos acusa de falta de lógica:
intelectual_oculos“Discutir questões relacionadas a religião é uma pratica inútil, porém negar fatos históricos em que até mesmo o papa pediu desculpas é um pouco ilógico.”
Zé Sabichão (leitor real, nome fictício)
É um intelectual nato! Para comprovar o quanto é sábio, ele coloca o que ao final do comentário? O link de uma matéria da Folha. Eu mereço. Será que o palpiteiro, incapaz de citar uma fonte confiável, acha que eu não conhecia essa matéria tosca?  O cúmulo para ele em termos de sapiência e opinião mais confiável são os repórteres da Folha?  Faça-me um favor.
Pois bem, Zé. Eu conhecia esta matéria da Folha, e, para sua infelicidade, conheço muito mais: estudo inquisição há 20 anos. Hoje, posso tirar minhas próprias conclusões, todas científicas, baseadas na realidade invencível do que aparece na minha frente.
Observem o texto da Folha de São Paulo, publicado em 13/06/2004:
João Paulo 2º pede desculpas pela Inquisição
Conversas sobre julgamentos, bruxas queimadas e livros proibidos ecoaram no Vaticano nesta terça-feira, enquanto o papa João Paulo 2º pedia perdão pela Inquisição, quando a Igreja Católica torturou e matou pessoas consideradas heréticas.
O papa fez seu apelo em uma carta lida durante uma entrevista coletiva convocada para o lançamento de um livro sobre a Inquisição.
Ele repetiu uma frase de um documento de 2000, no qual pela primeira vez o papa pediu perdão pelos “erros cometidos a serviço da verdade por meio do uso de métodos que não têm relação com a palavra do Senhor”.
(…)O livro de 800 páginas lançado nesta terça-feira baseia-se nos discursos feitos no simpósio acadêmico patrocinado pelo Vaticano seis anos atrás.
Aparentemente nada de errado, certo? Não! COMPLETAMENTE ERRADO!!! Texto mal escrito, mal-intencionado e tendencioso. Em primeiro lugar, observem o título. Não é correto dizer que o Papa pediu desculpas pela Inquisição: ele somente pediu perdão pelos erros cometidos neste tribunal. Sim, é uma diferença de texto sutil, mas que altera muito o sentido da coisa! Em nenhum momento o beato condenou a Inquisição como um todo, e nem poderia: como veremos a seguir, ela teve muito mais acertos do que erros.

fonte_primariaHouve realmente pedido de desculpas do Papa? Evidente, cáspide! Cometeram-se barbaridades em nome da fé, mas ninguém – repito, absolutamente ninguém entre esses fulanos da imprensa – fez questão de investigar a verdade total dos fatos (como deveria ser o papel do jornalista sério).  A verdade é que, por meio da Santa Inquisição, a Igreja salvou muitas pessoas de uma morte horrível. Esta conclusão é resultado dos esforços de acadêmicos como o Professor Madden, o Professor Woods Jr., o Professor Konik, entre outros, que são historiadores honestos e extremamente gabaritados. Eles fundamentam seus estudos em FONTES PRIMÁRIAS, as únicas que podem basear pesquisas e conclusões precisas.

Veja bem, já vi despautérios em livros, dizendo que morreram 20 milhões de pessoas na Inquisição, cujas fogueiras, ao lado da peste, quase dizimaram a população da Europa… Esses escritores palpiteiros geralmente se baseiam em publicações de cretinos como Gibbons e Michelet, os mais modernosos em Peter Burke e Hobsbawn (embora esses dois não sejam medievalistas). Estes autores são absolutamente tendenciosos e não se baseiam em fontes primárias, como manda o bom manual do historiador (como ensinou Ranke).
O que o Papa realmente falou?
Esse texto da Folha foi descaradamente editado, veja aqui o que o papa falou (grifos nossos):
“Ante a opinião pública, a imagem da Inquisição representa de alguma forma o símbolo deste antitestemunho e escândalo. Em que medida esta imagem é fiel à realidade? Antes de pedir perdão é necessário conhecer exatamente os fatos e reconhecer as carências ante as exigências nos casos em que seja assim. Este é o motivo pelo qual o Comitê pediu a consulta de historiadores, cuja competência científica é universalmente reconhecida.”
Papa João Paulo II (Fonte: Zenit)
Pra ficar bem claro: João Paulo II não só pediu perdão, como também alertou que a imagem que as pessoas em geral têm sobre a inquisição pode estar errada.  Também convidou a todos a buscar a verdade dos fatos. E, para isso, ele abriu os arquivos do Vaticano a um comitê de 30 historiadores internacionalmente reconhecidos, que acabaram por derrubar muitos mitos e calúnias.
Por que esse trecho da mensagem do Papa não faz parte do título da matéria? Por que o trecho, pelo menos, não faz parte do corpo do texto? Resposta: não interessa. A Folha, pelo visto, não tem o menor interesse em abalar as certezas absolutas e imutáveis de seus leitores típicos; ela se limita a reforçar ideias preconcebidas.
pedido_desculpas_inquisicao_joao_paulo_ii
Matéria da Folha omite dados importantes
Agora vem a parte mais interessante. A matéria da Folha continua:
Mas a entrevista coletiva foi além disso.
Um mapa mostrou que a Alemanha registrou o maior número de “bruxos” e “bruxas” mortos por tribunais civis no começo do século 15.
Cerca de 25 mil pessoas da população de 16 milhões foram mortas.
Mas, em termos proporcionais, o recorde pertence a Liechtenstein, onde 300 pessoas, ou 10% dos 3.000 habitantes da região, foram mortas por bruxaria.
O professor Agostino Borromeo, editor do livro, disse que menos pessoas foram realmente mortas pela Inquisição do que geralmente se acredita.
Ele afirmou que apenas cerca de 1,8% das pessoas investigadas pela Inquisição espanhola foram mortas. Manequins foram queimados para representar os julgados à revelia e condenados à morte.
Certa do cansaço e da preguiça mental de seus leitores, a Folha coloca a informação crucial perdida no corpo do texto. A inquisição só levou à fogueira 1,8% dos indiciados (enquanto que a média de condenações dos tribunais não-religiosos da época era de 50%, vejam que diferença). A Folha em nenhum momento informa que esta conclusão é baseada em análise de fontes primárias, e não a mera opinião de um polemista maluco qualquer. É o resultado do trabalho científico de um historiador tarimbado, o Conde Borromeo.

AGORA VEM A PEGADINHA: reparem que a matéria está o tempo todo falando dos tribunais eclesiásticos, e de repente começa a falar dos milhares de “bruxos” e “bruxas” mortos dos pelos TRIBUNAIS CIVIS. É óbvio que muita gente vai confundir uma coisa com a outra! O leitor desatento – que, vamos combinar, corresponde a 90% dos casos – vai colocar estas mortes na conta da Igreja. Ele não perceberá que estes números NADA TÊM A VER COM A INQUISIÇÃO (e muitas vezes não têm relação nem mesmo com os civis católicos, já que grande parte desses tribunais eram protestantes).

antolho_midiaE a coisa fede cada vez mais. O texto da Folha dedica diversas linhas para descrever os números dos tribunais civis, mas, curiosamente, omite os números de condenados por bruxaria pelos tribunais da Inquisição. Estranho, não? Será porque estes números são baixos demais, e não satisfazem a cota de sangue e crueldade desejados pelos jornalistas “imparciais” da Folha?
É, no mínimo, tendencioso ignorar esses dados importantíssimos, trazidos à tona naquela ocasião pelo professor Borromeo:
  • dos 125.000 processos de sua história, a Inquisição Espanhola condenou à morte 59 “bruxas”;
  • na Itália, foram 36 pessoas condenadas por bruxaria;
  • em Portugal, foram 4 condenações por bruxaria.
Como vemos, tem jornal que, para os humanos, cumpre a mesma função que os antolhos nos cavalos: tapam a visão dos diversos ângulos e só permitem que o sujeito olhe para uma única direção.
E a matéria da Folha continua…
O cardeal Georges Cottier foi questionado por que o Vaticano não condenou papas anteriores que permitiram a Inquisição.
“Quando pedimos perdão, não condenamos. Estamos todos condicionados pela mentalidade de nosso tempo. Daqui a 50 anos, podemos ser acusados de não ver certas coisas”, disse.
Por que João Paulo II tinha que condenar, admoestar ou passar um pito na memória de Gregório IX? Não havia por que. O que esses caras querem? Simples, querem que a Igreja assuma culpas até de coisas que ela não fez, assuma que esta errada em defender sua ortodoxia, assuma, inclusive, que ela foi muito malvada em botar um freio no autoritarismo dos barões, que, antes da criação do Tribunal da Inquisição, acusavam de heresia e matavam a quem bem entendiam.
Enfim, os detratores da Igreja buscam deturpar e se aproveitar desse ato de lealdade e coragem – o pedido de perdão pelos erros de seus membros – para confirmar os seus preconceitos. Porém, como vimos, qualquer pessoa de mente aberta e com mais de dois neurônios em atividade pode reconhecer essas mentiras e chegar aos fatos.
*****
Não somos ingênuos a ponto de imaginar que convenceremos o leitor Zé Sabichão a pensar de modo diverso. Mas consideramos que a resposta ao seu comentário poderia ser útil aos nossos amigos católicos, para que se previnam e saibam se defender deste tipo de ataque. Quanto ao comentário do Zé, este foi devidamente rejeitado e encaminhado para a lixeira.
olavo_de_carvalho“Na esmagadora maioria dos seres humanos, o abismo entre o percebido e o pensado continua imenso e praticamente intransponível. No caminho que vai dos sentidos ao raciocínio, eles se perdem na trama da imaginação. Vêem a realidade com os olhos da cara, mas não conseguem pensá-la. Pensam outra coisa, sugerida pela imaginação ou repetida pelo automatismo da memória. Mas não sabem que estão fazendo isso.”
Professor Olavo de Carvalho
É nesse abismo intelectual que vivem hoje muitas pessoas em nosso país. Os jornalistas e editores que seguem a cartilha do iluminismo e do marxismo sabem muito bem que a superficialidade e a incapacidade de concentração das pessoas que ficam tempo demais na internet não permite que elas prestem a devida atenção nos detalhes.
wagner_moura_capitao_nascimento_tropaMas nem todos estão distraídos. Nem todos aceitam engolir a papinha venenosa de informações fáceis da mídia. Amigos, busquemos sempre alimento sólido (espiritual e intelectual), oremos e vigiemos, até que o Senhor venha de novo em Sua Glória.
Obrigado a todos pela atenção e fiquem com Deus.
*****
Fontes (como deve ser):
Woods Jr., Thomas. A Igreja Católica: Construtora da Civilização Ocidental. Ed. Quadrante.
Vauchez, André. A Espiritualidade na Idade Média Ocidental –  Sec. VII ao XIII. Jorge Zahar Editor.
Site da Agência de Notícias Zenit. Carta de João Paulo II sobre a Inquisição. 16/06/2004
Blog Cultura Sem Censura. Inquisição, como se mente a respeito
Site do Vaticano. Memória e Reconciliação – A Igreja e as culpas do passado
 
MCS - GO SDS - 11/212

19 de set. de 2012

Cruz e Ícone da JMJ peregrinam a um ano no Brasil


Símbolos da Jornada Mundial da Juventude enriquecem a evangelização

Fonte: ZENIT

Ao concluir a Missa de envio na Jornada Mundial da Juventude (JMJ) em Madrid, Bento XVI anunciou que a seguinte JMJ seria na cidade do Rio de Janeiro e disse: "Antes de nos despedirmos e depois que os jovens da Espanha entregarem aos do Brasil a cruz das Jornadas Mundiais da Juventude, como Sucessor de Pedro confio a todos aqui presentes esta grande tarefa: levem o conhecimento e o amor de Cristo por todo mundo".

Jornada Mundial da Juventude - JMJRio2013Há um ano em peregrinação pelo Brasil os símbolos da JMJ ajudam os jovens a cumprir a missão confiada por Bento XVI. “Já experimentamos um enriquecimento da evangelização no Brasil, através da passagem dos Símbolos da Jornada. Uma forte perspectiva de esperança e de um futuro melhor são transmitidos a todos quando a Cruz e o Ícone de Nossa Senhora passam por locais de sofrimento e exclusão. Presídios, casas de recuperação de dependentes químicos, orfanatos, praças públicas onde vivem usuários de drogas, todos se sentem acolhidos pelo mistério da Cruz de Cristo”, afirma padre Toninho, assessor nacional da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude e responsável pela peregrinação dos Símbolos, em notícia divulgada pelo site Rio2013.com.

A cruz de madeira de 3,8 metros foi construída e colocada como símbolo da fé católica, perto do altar principal na Basílica de São Pedro durante o Ano Santo da Redenção (Semana Santa de 1983 à Semana Santa de 1984). No final daquele ano, depois de fechar a Porta Santa, o Papa João Paulo II deu essa cruz como um símbolo do amor de Cristo pela humanidade. Quem a recebeu, em nome de toda a juventude, foram os jovens do Centro Juvenil Internacional São Lourenço, em Roma.

Padre Toninho, destaca, também, que a presença do Ícone Mariano leva um alento aos que sofrem. “Em cada local, a presença maternal da Virgem Maria deixa uma marca que impressiona e que conduz à Sagrada Escritura. Em muitos locais, com a passagem dos sinais, vimos o fortalecimento da Lectio Divina”.

O ícone de Nossa Senhora, “Salus Populi Romani”, uma cópia contemporânea de um antigo e sagrado ícone encontrado na primeira e maior basílica para Maria a Mãe de Deus, no Ocidente, Santa Maria Maior, foi entregue aos jovens em 2003 pelo Papa João Paulo II como um segundo símbolo de fé para ser levado pelo mundo, acompanhando a cruz da JMJ.

MCS - GO SDS - 09/2012

4 de mai. de 2012

É possível conciliar razão e fé?!

 
Imagem de Destaque Um dos equívocos mais arraigados, no senso comum moderno, é ver a religião como algo fundado em fatores exclusivamente subjetivos, sem nenhuma relevância intelectual.

Assim, ela seria reduzida a crenças sem fundamentos ou a um mero sentimento interior, confinando-se, portanto, ao domínio do irracional. Na religião, não haveria o que se pensar, aprender ou saber. É preciso que se diga, no entanto, que tal concepção equivocada tem suas causas históricas e sociais, e que também é própria não apenas de seus inimigos, mas também de pessoas que se consideram sinceramente religiosas, no entanto, acreditam que a religiosidade é isso mesmo: uma fuga da realidade para um mundo de fantasia, uma exaltação do sentimentalismo em detrimento da racionalidade.

Efetivamente, se a religião tem alguma coisa a ver com a verdade, ela não pode se reduzir ao sentimento nem à fantasia. De fato, a fantasia não tem ligação com a verdade, pois esta também não se sente, mas se entende. A autencidade é objeto de compreensão, não de sentimento nem de imaginação. E o Cristo ensinou que a experiência religiosa é uma prática da verdade: «Conhecereis a verdade e a verdade vos tornará livres» (Jo 8,32).

O Cristianismo é a religião do Logos: «No princípio era o Logos, e o Logos estava com Deus, e o Logos era Deus» (Jo 1,1). Assim consta no original grego do Evangelho segundo São João. "Logos" se traduz por verbo, mas também por razão. O Cristianismo é a religião da razão divina e universal.

O equívoco do qual falamos, que reduz a religião ao domínio do irracional, é resultado de dois outros erros: o primeiro é o que faz a religião depender apenas da fé, de modo que não haveria verdades religiosas naturalmente acessíveis à razão humana; o segundo é o que confunde a fé com mera crença. Dessa maneira, para demolir esses erros, será necessário: (1) mostrar que existem verdades religiosas naturalmente acessíveis ao conhecimento humano; e (2) expor o conceito da autêntica fé católica, como virtude teologal, de maneira que esta se distingua da mera crença.

A discussão desses dois pontos, que acima indicamos, envolve mais conteúdo e demanda, muito mais espaço do que podem comportar os limites de um só artigo. Talvez sejam necessários vários artigos para que possamos deixar clara a matéria. De qualquer maneira, pretendemos desenvolver o tema nos próximos artigos a serem publicados, começando pelo segundo dos pontos indicados. Assim tencionamos, em nossa próxima comunicação, começar a exposição do conceito de fé como virtude teologal, mostrando como ela se distingue de uma mera crença.

Nesse intento, buscamos nos inspirar nas palavras com que o Papa bem-aventurado João Paulo II abriu sua Encíclica Fides et Ratio: «A fé e a razão constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade».

MCS - GO SDS - 05/2012

19 de abr. de 2012

O pedido de Deus é claro: devemos defender a vida!


Por Exequiel Alvarez, Geraçao PHN – Corrientes, Argentina

A decisão do Supremo Tribunal Federal do Brasil (STF), que descriminalizou o aborto de feto com anencefalia, continua gerando controvérsias e discordâncias. A Igreja Católica, una e santa por graça divina, não cessará de proclamar, nos quatro pontos da Terra, que será sempre “a favor da vida”.

O blog ‘Canção Nova pelo mundo’ fez uma entrevista com o padre argentino da diocese de Corrientes, Martín Daniel González, falando sobre essa decisão do STF no Brasil. O sascerdote responde as perguntas sem nenhuma técnica, mas com grande reflexão e discernimento.

“Verdadeiramente, a notícia da lei sancionada, no Brasil, não deixa de me surpreender, pois espero nunca perder a capacidade da surpresa diante do mau. Como em outras ocasiões de aprovações de leis desse tipo, o que mais me surpreende são os argumentos empregados para proclamá-la. ‘Berços, não ataúdes’ proclamavam os defensores dessa lei, pedindo o direito de matar, de tirar uma vida. Soa-nos uma contradição, não é? Segue-se proclamando e defendendo a capa e a espada, o direito da mulher de decidir sobre seu próprio corpo; mas nos esquecemos de que, desde a concepção, há uma pessoa, há um corpo, diferente do corpo da mãe”.

O sacerdote continua fundamentando sua opinião sobre o impacto dessa notícia: “Depois de ver alguns dados, não posso deixar de pensar que, por trás de leis como essas se esconde (não tão escondido) o multimilionário negócio do aborto ‘legal’. No mundo morrem (segundo algumas estatísticas) 0,0021 % das mulheres que recorrem ao aborto, algumas delas em países nos quais esta prática já está despenalizada há algum tempo.

Num país como o Brasil, uma em cada mil crianças padecem de anencefalia. Depois de nascerem vivas, elas permanecem assim por horas, dias ou, como Marcela de Jesus, um ano e oito meses”.

Devemos dizer que, na Argentina, já existe uma lei similar à promulgada dias anteriores no Brasil. O sacerdote, refletindo sobre essa questão, diz que essas leis apenas alertam, mais uma vez, para o horizonte do nosso povo, pois “um país que mata seus próprios filhos não tem futuro” (João Paulo II).

“Deus continua dirigindo Seu Povo para Sua vontade, que é, antes de mais nada, a felicidade da humanidade. Sua voz é clara”, diz padre Martín, que nos exorta a nos pronunciarmos sempre a favor da vida, tendo como primeira atitude a oração incessante.

Em seu país, o consagrado a Deus dirige umas palavras a todos os cristãos: “O pedido do Senhor é claro, devemos defender a vida! Em todas suas etapas e em todas suas formas, a despenalização do aborto exige dos cristãos muita valentia. Se ‘agora é legal e não há lei que a impeça’, você vai fazer o aborto? A resposta é bem mais valiosa”.

Sigamos, dia a dia, dizendo sim à vida, à nossa e àquela que foi posta em nossas mãos. É decisão, de cada batizado, elevar sua voz junto à Igreja e dizer “não” ao aborto, mas “sim” à vida.

O problema, entretanto, não termina com a morte da criança, pois, depois do ato do aborto, é preciso dar atenção às mães, porque elas não são capazes de superar a decisão que tomaram (ou que foram obrigadas a tomar).

MCS - GO SDS - 04/2012

15 de abr. de 2012

A beleza do Cristianismo

Imagem de Destaque 
Ele não é apenas belo em si, também é produtor de beleza

O filósofo espanhol Julián Marías, ao comentar sobre as perseguições antigas e presentes ao Cristianismo, afirmou que não se compreende a hostilidade contra algo que é admirável. Assim, o ódio anticristão seria intrinsecamente irracional. Efetivamente, o que há de mais belo neste mundo do que o Cristianismo? Uma Virgem concebe e dá à luz um Menino. Este Menino é o próprio Deus feito homem, andando no mundo e vivendo a vida dos homens, com suas dores e alegrias; o Verbo Criador, sem nada perder de Sua divindade, assume a natureza humana de Sua criatura. «Verdadeiro homem, concebido do Espírito Santo e nascido da Virgem Maria, viveu em tudo a condição humana, menos o pecado, anunciou aos pobres a salvação, aos oprimidos, a liberdade, aos tristes, a alegria» (Oração Eucarística n. 4).

Filho eterno de Deus Pai, consubstancial com o Pai e o Espírito Santo na mesma e única Essência divina, doou-se totalmente para a salvação da humanidade e reparar o pecado do homem. «Porque Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu seu Filho Unigênito, para que todo o que crê n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna» (Jo 3,16). Este Deus feito homem deixou-se crucificar pelos homens e ao terceiro dia ressuscitou dos mortos, vencendo a morte e nos dando a vida. Após a Ressurreição, apareceu aos discípulos e subiu aos céus, «não para afastar-se de nossa humildade, mas para dar-nos a certeza de que nos conduzirá à glória da imortalidade» (prefácio da Ascensão).

Pois então, existe história mais bonita que esta? Uma história sublime e ao mesmo tempo tão simples, que não encontra emulação em página alguma da literatura humana. Podem convocar todos os críticos literários do mundo, nenhum deles, honestamente, poderá apontar narrativa mais bela que o Evangelho. Nada do que a criatividade humana soube escrever pode ousar comparar-se. Esta é uma das provas da autoria divina dos Evangelhos: aquilo não pode ser obra humana, pois nada do que o homem produziu se lhe compara. Só o mesmo Deus poderia compor história tão bela, capaz de comover os homens de todos os tempos e de todos os lugares. Ademais, as narrativas que o homem criou foram inventadas pela imaginação e produzidas com papel e tinta, enquanto Deus fala nos fatos: antes de ser escrita nos livros, a narrativa evangélica foi representada diante dos homens por personagens de carne e osso, mediante fatos reais.

E se o Evangelho, centro da Sagrada Escritura, resplandece por sua sublime beleza, nem por isso o restante da Sacra Página encontra-se privado de encanto e ornamento. Vejam só a história de Abraão e de Sara, de Isaac e de Rebeca, e de Jacó que «sete anos de pastor serviu Labão, pai de Raquel, serrana bela» (Camões). A história de José, vendido por seus irmãos e depois salvando os mesmos irmãos que o tinham entregue, numa figura do Messias que viria. A singela história de fé de Tobias e a luta heroica dos macabeus. E, no Novo Testamento, a conversão de São Paulo no caminho de Damasco: o perseguidor que se torna o apóstolo dos gentios, pregando o Verbo entre os surdos e os descrentes. Entre tantos outros episódios que poderiam ser citados.

Porém, de fato, o que pode haver de mais belo do que Deus assumindo a nossa própria natureza? «O Verbo se fez carne, e habitou entre nós» (Jo 1,14). Este é o mistério da Encarnação do Verbo Divino; é, em certo sentido, a diferença específica do Cristianismo. Em nenhuma outra religião o Deus único e Criador de todas as coisas assumiu a natureza humana, tornando-se «em tudo à nossa semelhança, exceto no pecado» (cf. Hb 4,15), tomando para si um corpo e uma alma de homem. Ainda não contente, quis esse Deus ser mesmo nosso alimento na Eucaristia, em que Ele está substancialmente presente em Sua divindade e humanidade.

O Cristianismo não é apenas belo em si, como também é produtor de beleza. Por séculos, a verdade cristã inspirou os maiores artistas e promoveu a produção de inúmeras obras artísticas que enriqueceram a civilização não apenas nas letras, como em cada uma das belas artes. Diante dos magníficos tesouros artísticos produzidos e inspirados pelo Cristianismo, o que uma doutrina como o ateísmo teria a oferecer de semelhante? Será que a negação de Deus pode ser suficiente para inspirar um artista a produzir coisas belas?

Rodrigo R. Pedroso
Advogado graduado pela FD/USP, mestrando em Filosofia política pela FFLCH/USP e procurador da USP.

MCS - GO SDS - 04/2012

7 de abr. de 2012

Amor e ... responsabilidade?

Por Edward P. Sri

Fala-se rotineiramente que metade dos casamentos termina em divórcio. Mas o que muitas vezes não é discutido é a outra metade da equação: os casamentos que não acabam. Esses casamentos estão indo muito bem? Será que os cônjuges que permanecem juntos realmente se sentem próximos um do outro? Será que eles alcançam uma intimidade verdadeira, pessoal e duradoura?

A situação nesse outro lado não é muito bonita. Estudos tem mostrado que a maioria dos casais não se sentem unidos a um amigo(a) verdadeiro(a). Na verdade, apenas 1 de cada 10 casais nos Estados Unidos dizem experimentar intimidade emocional no relacionamento.

Um bom casamento não é aquele onde as pessoas simplesmente permanecem juntas. Um bom casamento é aquele em que os esposos experimentam uma profunda comunhão pessoal um com o outro. Queremos casamentos em que pessoas com 10, 20 ou 30 anos de casado possam dizer: “Eu amo meu(minha) esposo(a) agora mais do que quando me casei”.
Para João Paulo II – então Karol Wojtyla – o segredo para a comunhão pessoal na vida conjugal é o amor-doação-de-si, e um senso que acompanha esse amor, um senso de responsabilidade pelo dom que é a outra pessoa. Na verdade esse tema da responsabilidade é tão importante que ele o colocou no título do seu livro sobre amor, casamento e relacionamento entre homem e mulher. O livro não se chama simplesmente “Amor”, mas “Amor e Responsabilidade”.

O que é essa responsabilidade? E como ela pode transformar os relacionamentos entre esposos, noivos, e pessoas significativas? É isso que vamos explorar nesta reflexão.

Responsabilidade

Pense no que acontece em um amor onde há compromisso. O sentido mais pleno do amor envolve duas pessoas que se doam uma à outra. E essa auto-doação nada mais é do que uma entrega total da vida da pessoa para outrem – um render as próprias preferências, liberdade, e vontade em prol do outro.

Isso significa que, no verdadeiro amor comprometido, meu(minha) amado(a) entrega completamente sua vida a mim. Essa pessoa renuncia livremente e amorosamente a sua autonomia e devota sua vontade ao bem do nosso casamento e ao bem de nossa família. Portanto, já que a pessoa amada confia sua vida inteiramente a mim dessa maneira única, eu devo, por minha vez, possuir um profundo senso de responsabilidade por ela – pelo seu bem-estar, sua felicidade, sua segurança emocional, sua santidade. Como explica Wojtyla: “Existe no amor uma responsabilidade particular – a responsabilidade por uma pessoa que está ligada pelo compromisso mais íntimo possível com a vida e a atividade de outra pessoa, e se torna, de certo modo, propriedade de quem recebe essa entrega de vida, esse dom de si” (Amor e Responsabilidade).

Aqui, Wojtyla oferece um padrão para o amor que é contra-cultural: “Quanto maior o sentimento de responsabilidade pela pessoa, mais há amor verdadeiro” (Amor e Responsabilidade). Note que ele não disse que haveria mais amor onde fossem mais fortes as emoções. A verdadeira medida para o amor não é o quanto se gosta de estar com a pessoa amada, ou quanto prazer se recebe dela. O amor autêntico não é tão centrado em si mesmo, constantemente olhando para dentro de si, para minhas próprias emoções e desejos. Ao invés, o verdadeiro amor olha para fora, com um fascínio para com meu(minha) amado(a) que entregou sua vida a mim, e tem um profundo senso de responsabilidade pelo seu bem, especialmente à luz do fato de que essa pessoa se entregou a mim dessa maneira.

Aceitando o dom

Para que possamos apreciar melhor o papel crucial que a responsabilidade possui em um relacionamento, vamos considerar os dois aspectos do amor doação-de-si. Por um lado, existe um doar a mim mesmo: a pessoa amada se entrega a mim e eu me entrego a ela. Por outro lado, há a aceitação da outra pessoa: eu aceito a pessoa amada como um dom que me foi confiado, e ela me aceita como um dom. Wojtyla observa como existe, no amor verdadeiro, um grande mistério de reciprocidade no dar e receber de um pelo outro. Na verdade, ele faz uma afirmação muito intrigante sobre isso: “Aceitação também deve ser doação, e doação também deve ser recepção” (Amor e responsabilidade).

Em que sentido aceitação é doação? Em outras palavras, em que sentido a aceitação da pessoa amada é um verdadeiro dom para ela? Os insights de João Paulo II na Teologia do Corpo nos ajudarão a compreender (1). Ao comentar sobre a união de Adão e Eva, ele explica que quando Eva foi apresentada a Adão pela primeira vez, ela foi plenamente aceita por ele, e os dois se tornaram intimamente unidos, como uma só pessoa. “Então o homem disse: ‘Finalmente essa é osso dos meus ossos e carne da minha carne’, portanto o homem deixa seu pai e sua mão e se une a sua mulher, e os dois se tornam uma só carne” (Gen 2, 23-24).

Como o pecado ainda não havia entrado no mundo Adão não lutava contra o egoísmo. Portanto, ele amava sua mulher não pelo que ele poderia lucrar com o relacionamento (uma ajudante para cuidar do jardim, companhia, prazer emocional, prazer sexual etc.). Ao invés, ele a amava pelo que ela era como pessoa. Ele aceitava sua mulher como esse tremendo dom ao qual ele iria cuidar e proteger. Ele tinha um profundo senso de responsabilidade por ela, e ele sempre buscava o que fosse melhor para ela, não para seus próprios interesses. Ele nunca fez nada que pudesse magoá-la.

A chave para a intimidade

Coloque-se no lugar de Eva. Imagine ter um esposo como esse! Imagine como ela deve ter se sentido totalmente aceita desse modo. De fato, foi um grande dom para ela ter um esposo que a recebeu alegremente e que a amou por ela mesma, pois seus anseios por uma comunhão pessoal puderam ser atendidos. A aceitação total de Eva por parte de Adão forneceu a ela a segurança que ela precisava para se sentir capaz de confiar seu coração e toda sua vida completamente a ele, sem medo de ser frustrada. Em outras palavras, o amor e a aceitação verdadeiros que Adão teve para com Eva fez florescer no coração dela a confiança que torna possível a intimidade emocional (2).

Essa é a chave para a comunhão pessoal no matrimônio. Eva nunca sentiu medo de ser usada por Adão, de ser incompreendida por ele, ou de ser magoada por ele, visto que ela tinha total confiança no amor dele. Portanto, nesse contexto do amor e da responsabilidade compromissada, ela se sentia livre para se entregar completamente a seu marido – emocional, espiritual e fisicamente – sem guardar nada para si.

De volta ao paraíso

Esse é o tipo de dinâmica que queremos para nossos casamentos: uma confiança integral, que torna possível a intimidade pessoal. Entretanto, a pessoa amada só vai aumentar sua confiança em mim – e consequentemente desvelar seu coração para mim – à medida que ele sente que estou comprometido com ela, que a aceito totalmente, e que sinto uma grande responsabilidade em procurar o que é melhor para ela.

Isso não é uma coisa fácil de se alcançar. Ao contrário de Adão e Eva no jardim, nossa natureza é decaída. Somos egoístas, e muitas vezes fazemos coisas que magoam a outra pessoa, e quebram a confiança, fazendo regredir a intimidade. Por exemplo, quando um homem está mais preocupado com o que precisa fazer no trabalho do que com as necessidades de sua esposa, ele envia para ela uma mensagem de que ela não é prioridade – de que todo o resto é mais importante. Isso, é claro, não ajuda a construir a confiança, e só a faz sentir mais distante de seu marido. Do mesmo modo, uma esposa que constantemente reclama do seu marido e o critica por suas fraquezas, por não conseguir fazer os trabalhos de casa, ou por não ter um emprego melhor, pode fazê-lo sentir-se desrespeitado ou indesejado. Essas reclamações provavelmente só irão torná-lo mais distante emocionalmente dela.

E quando experimentamos as fraquezas da pessoa amada, e nos sentimos magoados por algo que ela fez? Quando nos magoamos, temos a tentação de alimentar a frustração para com a pessoa amada, dizendo para nós mesmos: “Porque ele sempre faz isso? Ele nunca vai mudar!”. Podemos nos tornar defensivos (“Não foi culpa minha! Porque ela não entende?”). Podemos levantar barreiras (“Não vou mais contar para ele o que realmente estou sentindo... ele não liga mesmo...”). Podemos até começar a duvidar do amor (“ Se eu tivesse casado com outra pessoa, não seria tratado dessa maneira”).

Wojtyla nos lembra que é nesses momentos que nossa aceitação e responsabilidade pela outra pessoa são mais testadas. Por isso, devemos “amar a pessoa completamente, com todas as suas virtudes e faltas, até o ponto em que a amemos independente dessas virtudes e apesar dessas faltas” (Amor e Responsabilidade). Ele não está dizendo que devemos condescender ou ignorar os pecados e as fraquezas da pessoa amada. Mas ele está nos desafiando a evitar enxergar a pessoa amada como se fôssemos um advogado de acusação. Embora feridos, devemos olhar para além dos meros fatos (“Ela fez aquilo comigo!”) e ver a pessoa, que preserva seu grande valor mesmo em meio às fraquezas e pecados. Afinal de contas, como temos visto nessas reflexões, o amor é direcionado à pessoa – não apenas ao que ele(ela) faz por mim. Então, quando a pessoa amada está em um momento não tão bonito assim – não me é prazeroso, e na verdade faz algo que me magoa – ainda haverá amor e aceitação total para ela?

Esse é o tipo de pergunta que consegue atingir o âmago da questão do amor. Como resume Wojtyla:

“A força de tal amor emerge mais claramente quando a pessoa amada “tropeça”, quando suas fraquezas ou mesmo pecados ficam à mostra. Quem ama de verdade não retira seu amor, mas ama ainda mais, ama com plena consciência das limitações e pecados da outra pessoa, e sem aprová-los na mais mínima condição que seja. Pois a pessoa em si nunca perde seu valor essencial. A emoção que se vincula ao valor intrínseco da pessoa permanece fiel ao ser humano” (Amor e Responsabilidade).

Isso, claro, é análogo ao modo como o Senhor nos ama. Apesar de nossos pecados e falhas, Deus permanece fiel a nós, olhando-nos pacientemente e misericordiosamente, em face de nossas faltas. Ele continua conosco mesmo quando fazemos coisas que ferem nosso relacionamento com Ele.

Portanto, se queremos seguir a imagem de Cristo em nossos casamentos, devemos primeiramente e de modo mais intenso desenvolver uma atitude profunda de amor e de aceitação pelos nossos cônjuges do modo como eles são, com todas as suas imperfeições. Ao invés de tentar mudá-los ou de se irritar com suas faltas, devemos permanecer firmemente comprometidos com eles como pessoas que nos foram confiadas com dom. Nossa atitude fundamental para com a pessoa amada, em meio a suas fraquezas, não deve ser de agitação, defesa, ou irritação, mas sim de aceitação incondicional em nosso coração pelo(a) esposo(a) que ele(a) é, suportando pacientemente suas faltas. Quando fazemos isso, começamos a amar como Deus ama.

Notas:
(1) Ver as catequeses da Teologia do Corpo presentes no livro “Homem e mulher o criou – Ed. EDUSC”.
(2) Nesta curta reflexão focalizei a aceitação que Adão teve para com Eva, porém o mesmo pode ser dito na outra direção. A aceitação total de Adão como dom, por parte de Eva, serve igualmente como dom para ele, fortalecendo mais ainda a confiança e a intimidade no relacionamento.
 
MCS - GO SDS - 04/2012

11 de mar. de 2012

Amor e Responsabilidade: para além do impulso sexual

Por Edward P. Sri, baseado em seu livro "Men, Women and the Mystery of Love"

Em nossa primeira reflexão sobre o livro "Amor e Responsabilidade", de João Paulo II, consideramos o "princípio personalista", o qual diz que não devemos tratar as outras pessoas meramente como meios para um fim.
 
Fonte: Vida e Castidade

Particularmente, vimos como o utilitarianismo enfraquece nosso relacionamento, fazendo-nos valorizar as pessoas primeiramente em termos de algum prazer ou benefício que recebemos na relação com ela.

Ainda assim utilitaristas sofisticados podem argumentar que não há nada de errado em duas pessoas “usarem” uma à outra na medida em que eles consentirem mutuamente e receberem mutuamente alguma vantagem da relação. Na verdade, alguns dizem que um relacionamento que traz consigo o egoísmo (interesse próprio) do homem e o egoísmo da mulher de modo benéfico para os dois seria na verdade um relacionamento de amor.

Por exemplo, o que tem de errado com Bill e Sally terem sexo antes do casamento, se cada um dos dois consente, e cada pessoa ganha algum prazer com isso? Já que no ato sexual o desejo que Bill tem por prazer se harmoniza com o desejo que Sally tem por prazer, tal ato não parece ser egoísta. Ambos dão prazer um para o outro, e não apenas para si próprios.

O Papa João Paulo II aponta um grande problema com esse tipo de relacionamento: “No momento em que deixarem de consentir e deixarem de ser vantajosos um para o outro, nada mais restará da harmonia original. Não haverá amor, em nenhuma das pessoas nem entre elas”.

Esse tipo de relacionamento me impede de estar realmente em comunhão com a outra pessoa, de estar comprometido com ela como pessoa, pois esse tipo de relação ainda está dependente do que eu vou conseguir da outra pessoa. Estou “comprometido” com a pessoa apenas até o ponto – e somente até aí – em que recebo prazer ou vantagem do relacionamento. Na verdade, o Papa João Paulo II compara tal relacionamento de utilização mútua à prostituição.

Como a prostituição

Imagine um homem de negócios que tem um relacionamento com uma prostituta toda semana numa determinada noite. O homem deseja o prazer sexual que ela pode lhe dar, e a mulher deseja o dinheiro que ele pode lhe dar. Ambos possuem objetivos pessoais que convergem para o ato sexual e beneficiam a outra pessoa. Ambos conseguem o que querem, e no processo atendem aos desejos da outra pessoa.

Entretanto, no momento em que o encontro dessas duas pessoas deixa de ser mutuamente vantajosa, o que acontecerá com esse relacionamento? Se a prostituta pode ser mais bem paga por um homem mais rico naquela noite particular da semana, provavelmente ela vai deixar o primeiro homem de negócios pelo segundo, mais rico. Por outro lado, se o homem de negócios não acha mais a prostituta prazerosa, e encontra uma prostituta mais jovem e mais atraente, ele também provavelmente vai deixar a primeira prostituta pela segunda, mais jovem.

Isso pode parecer um exemplo exagerado, mas pense quantas relações entre homem e mulher no mundo de hoje não são muito melhores que isso? Quantos relacionamentos são baseados mais em um mútuo uso do que em amor compromisso e em uma comunhão verdadeira de pessoas? Por exemplo, quantas jovens mulheres entregam sua virgindade e dormem com um homem em troca da segurança emocional de ter um namorado ou por medo de que, se não o fizerem, esse homem pode terminar o relacionamento com ela? Quantos homens querem somente uma garota bonita para dormir com ela pelo prazer físico que pode conseguir com essa relação? Esses relacionamentos não são de autêntico amor que trazem as pessoas à comunhão uma com a outra. Ao invés, são simplesmente formais socialmente mais aceitáveis de um uso mútuo – similar à prostituição.

Insegurança, não amor

João Paulo II nota como as relações baseadas no utilitarianismo lançam medo e insegurança em uma ou ambas as pessoas. Um sinal de alerta que mostra a possibilidade de existir uma relação utilitária é quando uma pessoa tem medo de conversar com a outra sobre assuntos difíceis, ou teme resolver problemas na relação com a pessoa amada.

Uma razão pela qual muito casais (seja de namorados, noivos, ou casados) nunca enfrenta as dificuldades na relação com o outro é porque no fundo sabem que não há muita base sólida para o relacionamento continuar – apenas o prazer ou benefício mútuo. Teme-se que, se o relacionamento se tornar desafiador, exigente, ou difícil para a outra pessoa, ela vai “cair fora”. A única maneira de manter o relacionamento é esconder os problemas e fingir que as coisas não estão assim tão ruins quanto parecem. “O amor assim compreendido é por si mesmo evidentemente uma pretensão que tem que ser muito bem cultivada para esconder a realidade escondida: a realidade do egoísmo, e do tipo mais baixo de egoísmo, aquele que explora a outra pessoa para obter para si o ‘máximo de prazer’”.

O Papa João Paulo II então mostra como as pessoas nesse tipo de relacionamento às vezes permitem até mesmo serem usadas pelo outro a fim de conseguir o que desejam do relacionamento: “Cada uma das pessoas está preocupada principalmente em gratificar o próprio egoísmo, mas ao mesmo tempo consente em servir o egoísmo do outro, porque isso pode trazer a oportunidade de satisfazer depois o próprio egoísmo – e fazem isso apenas enquanto isso é verdade”.

Nesse caso, a pessoa deliberadamente se permite ser usada como meio para as intenções egoístas da outra pessoa. “Se eu trato uma outra pessoa como meio e como instrumento com relação a mim, não posso me considerar senão igualmente, à mesma luz, como meio. Nós temos aqui algo como o oposto do mandamento do amor”.

O impulso sexual

A sexualidade é uma das principais áreas onde podemos cair na atitude de usar uma outra pessoa. O Papa João Paulo II, portanto, despende muito tempo refletindo sobre a natureza do impulso sexual.

Primeiramente, ele discute como o impulso sexual se manifesta na tendência das pessoas humanas buscarem o sexo oposto. Ele diz que o impulso sexual orienta um homem para as características físicas e psicológicas de uma mulher – seu corpo, sua feminilidade – que são os próprios atributos mais complementares ao homem. E a mulher, por sua vez, está orientada para os atributos físicos e psicológicos de um homem – seu corpo e sua masculinidade – as propriedades que são naturalmente complementares para a mulher. Portanto, o próprio impulso sexual é experimentado como uma atração corporal (física) e emocional (psicológica) para uma pessoa do sexo oposto.

Entretanto, o impulso sexual não é uma atração para as qualidades físicas e emocionais do sexo oposto no abstrato. O Papa João Paulo II enfatiza que esses atributos somente existem em uma pessoa humana concreta. Por exemplo, nenhum homem é atraído ao “loira” ou “morena”, abstratamente. Ele se sente atraído, ao invés, a uma mulher – uma pessoa em particular – que pode ter cabelo loiro ou moreno. Uma mulher não se sente primariamente atraída pela “masculinidade” como um conceito teórico, mas ela pode se sentir muito atraída por um homem particular que exibe certos traços tradicionalmente masculinos, tais como coragem, decisão, força, e cavalheirismo.

O Papa João Paulo II enfatiza esse ponto para mostrar como o impulso sexual, em última análise, dirige-se à pessoa humana. Portanto, o impulso sexual não é, em si mesmo, ruim. Na verdade, por se destinar a nos orientar em direção a outra pessoa, o desejo sexual pode fornecer um espaço para o autêntico amor se desenvolver.

Isso não quer dizer que o impulso sexual deve ser igualado ao amor. O amor envolve muito mais do que as reações sensuais ou emocionais espontâneas que são produzidas pelo desejo sexual; o autêntico amor requer atos da vontade dirigidos em prol do bem da outra pessoa. Ainda assim, o Papa João Paulo II diz que o impulso sexual pode fornecer a “matéria-prima” a partir da qual atos de amor podem surgir – isso se for guiado por um grande senso de responsabilidade pela outra pessoa.

Mais do que instinto animal

É importante notar que o impulso sexual nas pessoas humanas não é o mesmo que o instinto sexual encontrado nos animais. O Papa João Paulo II explica que nos animais o instinto sexual é um modo reflexo de ação, que não depende de pensamento consciente. Por exemplo, uma gata fêmea no cio não reflete qual o melhor tempo, lugar ou circunstância para ela acasalar, e não pensa em qual gato macho das vizinhanças ela quer como parceiro ideal. Os gatos simplesmente agem por reflexo, de acordo com seus instintos.

As pessoas humanas, entretanto, não precisam ser escravas do que está borbulhando dentro delas na esfera sexual. No final das contas, a pessoa está em controle do impulso sexual – e não o contrário. A pessoa pode escolher como vai usar esse impulso.

Um homem, por exemplo, pode experimentar uma atração sexual por uma mulher. Ele às vezes pode até experimentar essa atração como algo que acontece a ele – algo que começa a tomar lugar em sua vida sensual ou emocional sem nenhuma iniciativa de sua parte. Entretanto, essa atração pode e deve estar subordinada ao seu intelecto e sua vontade. Uma pessoa pode não ser sempre responsável pelo que lhe acontece na área da atração sexual, mas ela é sempre responsável pelo que decide fazer em resposta a esses estímulos interiores.
Amar ou usar?

Lembremo-nos que o impulso sexual nos conduz aos atributos físicos e psicológicos da pessoa do sexo oposto. Mas, em última análise, existe para nos conduzir à pessoa que possui esses atributos – não apenas aos atributos em si. As manifestação do impulso sexual, portanto, nos colocam diante de uma decisão entre amar a pessoa e usá-la devido a seus atributos.

Por exemplo, digamos que Bill conhece Sally no trabalho, e rapidamente se sente atraído pela sua beleza e personalidade encantadora. Bill pode escolher entre se elevar acima dessa reação sexual inicial e ver nela mais do que apenas seu corpo e sua feminilidade. Ao olhar além dos atributos físicos e psicológicos que lhe dão prazer, ele tem a possibilidade de vê-la como uma pessoa, e responder a ela com atos de amor desinteressado.

Por outro lado, Bill pode experimentar a atração sexual e escolher a fixação nas qualidades físicas e psicológicas que lhe dão prazer. Fixando-se na sua beleza e no seu charme feminino – e no prazer que deles deriva – ele se distrai, perde a capacidade de ver Sally como ela realmente é, não consegue mais amá-la como uma pessoa. Ele pode ser gentil com ela, mas está, ao menos em algum grau significante, fazendo isso a fim de receber algum prazer sensual ou emocional derivado da proximidade para com ela. No final das contas, portanto, Bill a está usando como fonte de prazer para si.

O Papa João Paulo II diz que, se a interação entre um homem e uma mulher permanece no nível dessas reações iniciais produzidas pelo impulso sexual, o relacionamento não é capaz de amadurecer para uma comunhão verdadeira de pessoas. “Inevitavelmente, então, o impulso sexual em um ser humano está sempre no curso natural das coisas que se direcionam a outro ser humano. Se está se direcionando apenas aos atributos sexuais como tais, isso deveria ser reconhecido como um empobrecimento ou mesmo uma perversão desse impulso”.

Esse é um ponto importante para nossos encontros cotidianos com pessoas do sexo oposto. Seguindo o princípio personalista, o Papa João Paulo II nos lembra como devemos ser cuidadosos a fim de evitar tratar as outras pessoas como potenciais objetos para nosso próprio prazer sensual ou emocional. Lendo essas linhas, devemos nos perguntar uma questão crucial: O que faremos quando experimentarmos a excitação da atração sexual por uma particular pessoa do sexo oposto? O que um homem escolherá fazer quando percebe a beleza física de uma mulher? O que uma mulher escolherá fazer quando se sente atraída por um homem?

Nesses momentos importantes, podemos fazer a escolha de nos fixarmos nos prazeres sensuais ou emocionais que recebemos do corpo ou da masculinidade ou feminilidade da outra pessoa. E, ao fazer isso, estaremos vendo a pessoa como um objeto para usufruto pessoal, e assim estaremos caindo no utilitarianismo. Ou, ao contrário, podemos procurar cultivar o amor autêntico pela própria pessoa, dirigindo nossa atenção para a pessoa na sua integralidade. Olhando além dos atributos físicos e psicológicos, e vendo a pessoa real, abrimos as portas ao menos à possibilidade de desejar o bem da outra pessoa, como na amizade virtuosa, e nos abrimos a realizar atos de gentileza verdadeiramente altruístas – os quais não dependem da quantidade de prazer que recebemos do relacionamento.

Com esses insights, o Papa João Paulo II nos lembra que nossas delicadas interações com as pessoas do sexo oposto demandam grande responsabilidade. “Por essa mesma razão, as manifestações do impulso sexual no ser humano devem ser avaliadas no plano do amor, e qualquer ato que dele se origina forma um elo na corrente da responsabilidade, a responsabilidade pelo amor”.
 
MCS - GO SDS - 03/2012

7 de mar. de 2012

Amor e Responsabilidade: entendendo corretamente as bases da amizade

Por Edward P. Sri (baseado em seu livro "Men, Women and the Mystery of Love")
Fonte: Vida e Castidade

O que um padre celibatário pode nos ensinar sobre amor, sexualidade, e relacionamentos entre homem e mulher?

Essa é a pergunta que um padre polonês, Karol Wojtyla, se fez na introdução de seu livro revolucionário, "Amor e Responsabilidade". Publicado em 1960, esse livro sobre a ética sexual foi fruto do extenso trabalho pastoral do Pe. Wojtyla com jovens, e das reflexões filosóficas que fez sobre esse tema quando ainda servia como sacerdote e professor universitário em Cracóvia - muito antes do mundo conhecê-lo como João Paulo II.
No livro "Amor e Responsabilidade", o Pe. Wojtyla argumenta que, apesar de faltar ao sacerdote a experiência direta do casamento e da sexualidade, ainda assim existe algo que lhe confere uma perspectiva ainda mais ampla nesses assuntos: uma vasta "experiência secundária". Como conselheiro espiritual que trabalhava bem próximo a muitos jovens adultos e jovens casais em meio a suas batalhas no campo do amor e da sexualidade, Pe. Wojtyla pôde aprender com a experiência de lidar com um variado espectro de personalidades, relacionamentos e casamentos, de um modo tal que não seria possível a um homem leigo. "Amor e Responsabilidade" foi o fruto dessa rica experiência pastoral, bem como de suas próprias reflexões filosóficas e teológicas sobre o amor, o sexo e o matrimônio.

Um grande livro

Janet Smith, dos Estados Unidos, uma das grandes palestrantes de ética sexual, afirma que "Amor e Responsabilidade" não é apenas um livro importante. Ela diz que esse livro deveria ser reconhecido como uma das maiores obras da civilização ocidental. Segundo ela, deveríamos colocar "Amor e Responsabilidade" junto com a "Ilíada" de Homero, a "Divina Comédia" de Dante, as "Confissões" de Santo Agostinho, na lista dos grandes livros do mundo, pelos séculos que virão. Ela diz: "Eu acredito que o livro do Papa João Paulo II deve figurar nessa lista por achar que as gerações futuras irão ler esse livro - elas certamente o devem fazer, pois se o fizerem verão que o livro enfrenta com firmeza questões que todo temos sobre a vida, além de oferecer uma maneira de ver as relações humanas que, se aceita, pode alterar radicalmente a maneira com a qual conduzimos nossas vidas". (1)

De fato, "Amor e Responsabilidade" fornece insights sobre o relaiconamento homem-mulher que realmente são capazes de mudar vidas - e são desesperadamente necessários hoje em dia. A nova geração, crescida no período pós-revolução sexual, está sedenta por qualquer direcionamento que a ajude a conduzir seus relacionamentos com o sexo oposto. Solteiros, noivos e jovens casais encontrarão em "Amor e Responsabilidade" não apenas uma perspectiva diferente de tudo que o mundo tende a oferecer, mas uma visão que, uma vez encontrada, certamente terá um impacto positivo na maneira com que nos relacionamos com os outros.

Nesta curta série de artigos, meus objetivos são modestos. Não pretendo oferecer uma análise acadêmica desse livro, nem entrar em debates eruditos sobre ética sexual. Pretendo, apenas, tornar mais acessíveis aos leitores leigos alguns dos insights dessa desafiante obra filosófica, e oferecer algumas de minhas próprias reflexões durante esse caminho, com a esperança de que os leitores possam se beneficiar da visão que o Papa João Paulo II tem sobre o amor e a sexualidade, e para que possam encontrar aplicações em suas próprias vidas.

O princípio personalista

O primeiro grande objetivo do Papa João Paulo II no livro “Amor e Responsabilidade” é explicar o que ele chama de “princípio personalista”. De acordo com esse princípio fundamental para as relações humanas, “uma pessoa não deve ser para a outra pessoa apenas um meio para atingir um fim”. Em outras palavras, nunca devemos tratar as pessoas como meros instrumentos para atingir nossos próprios objetivos.

João Paulo II explica porque deve ser assim. As pessoas humanas são capazes de autodeterminação. Ao contrário dos animais, que agem de acordo com seus instintos e apetites, os seres humanos podem agir deliberadamente. Através da autorreflexão, as pessoas podem escolher um curso de ação para si mesmas, e impor seu “mundo interior” para o mundo exterior através de suas escolhas. Tratar uma pessoa humana como mero instrumento para meus próprios objetivos é violar a dignidade da pessoa como ser que pode se autodeterminar. “Toda pessoa é, por natureza, capaz de determinar seus próprios fins. Qualquer um que trate uma pessoa como um meio para um fim violenta a própria essência do outro” (trecho do livro Amor e Responsabilidade).

Amar ou usar?

O que torna difícil viver na prática esse princípio básico das relações humanas é o espírito de utilitarianismo que permeia nossa sociedade Na visão utilitarista, as melhores ações humanas são aquelas que são mais úteis. E útil é aquilo que maximiza meu prazer e conforto e minimiza minha dor. A pressuposição que está por trás desse pensamento é que a felicidade consiste no prazer. Portanto, eu deveria sempre, segundo essa visão, perseguir tudo que me desse conforto, vantagem e benefício, e deveria evitar tudo que causasse sofrimento, desvantagem e perda.

Essa visão utilitarista afeta a maneira com que nos relacionamos com o outro. Se meu objetivo principal é perseguir meu próprio prazer, então eu faço as escolhas na minha vida com base em quanto elas me levarão a esse objetivo. Disso resuta que muitas pessoas hoje em dia – até mesmo bons cristãos – podem avaliar um relacionamento em termos de quão útil uma pessoa é para que eu atinja esse objetivo, ou quanta “diversão” eu tenho com essa pessoa. O Papa João Paulo II diz que, uma vez adotada essa atitude utilitária, começamos a reduzir as pessoas em nossas vidas a simples objetos que usamos para nosso próprio prazer.

Isso ajuda a explicar porque muitas amizades e “namoros” (e até mesmo casamentos) hoje em dia são tão frágeis e tão facilmente se dissolvem. Se eu avalio uma mulher com base apenas no que ela pode me trazer de “vantagem”, ou apenas com base no quanto eu posso obter de prazer estando com ela, então esse relacionamento não tem fundamentos sólidos. Assim que eu deixar de experimentar prazer ou benefício do tempo que passo com ela – ou assim que eu encontre outra pessoa que me dê mais prazer ou benefício –, ela passa a não valer mais nada para mim. Essa visão é muito distante do princípio personalista, e mais distante ainda de um relacionamento baseado no amor compromissado.

Amor e amizade

Aqui, pode ser útil mencionar os diferentes tipos de amizade, de acordo com Aristóteles, a quem o Papa João Paulo II cita na sua discussão sobre o amor.

Para Aristóteles, há três tipos de amizade, baseados em três tipos de afeição que unem as pessoas. Primeiramente, em uma amizade “por utilidade”, a afeição está baseada no benefício ou uso que os amigos extraem do relacionamento. Cada pessoa ganha alguma coisa com a amizade que serve a seu benefício, e o benefício mútuo da relação é o que une as duas pessoas.

Por exemplo, muitas amizades no ambiente de trabalho estão nessa categoria. Digamos que Bob possui uma empresa de construção civil em Boston. Ele tem uma amizade com Sam em São Francisco porque Sam vende pelo melhor preço o tipo de parafuso que Bob precisa. Para realizarem seus negócios Bob e Sam se encontram algumas vezes no ano, falam no telefone mais ou menos uma vez por semana, e trocam e-mails com certa frequência. Ao longo dos anos fazendo negócios, os dois aprenderam sobre a carreira, a família e os interesses do outro. Eles se dão bem, e sinceramente desejam tudo de bom na vida da outra pessoa. Eles são amigos, mas o que os une é o benefício particular que ganham com a amizade: parafusos para Bob e vendas para Sam.

Em segundo lugar, em uma amizade “por satisfação” a base da afeição é o prazer que se tira do relacionamento. Vê-se o amigo como a causa de algum prazer ou satisfação para si. Essa amizade busca sobretudo ter “diversão” com a outra pessoa. Os amigos podem escutar o mesmo tipo de música, praticar o mesmo esporte, gostar do mesmo tipo de atividade física, viver no mesmo dormitório, ou gostar de sair para as mesmas baladas. As duas pessoas podem se importar sinceramente com o outro, e desejar para o outro tudo de bom na vida, mas o que os une como amigos é primariamente o prazer ou a “diversão” que vivenciam juntos.

Fundamentos frágeis

Aristóteles nota que os tipos de amizade “por utilidade” e “por satisfação” são formas básicas de amizade, e não representam a amizade no sentido mais pleno. Amizades “por utilidade” e “por satisfação” não são necessariamente ruins, porém são as mais frágeis. Têm menos probabilidade de sobreviver ao teste do tempo, porque quando não existem mais os mútuos benefícios ou a “diversão” já não resta mais nada a unir as duas pessoas. Por exemplo, se Sam deixasse de vender parafusos, e passasse a vender livros, o que aconteceria com sua amizade com Bob, já que ele não venderia mais os parafusos que Bob precisa? Eles poderiam até trocar cartões de Natal, e e-mails de vez em quando, mas a amizade começaria a se dissolver, pois eles não precisariam mais se comunicar regularmente para tratar de negócios. A relação não é mais mutuamente benéfica.

De modo similar, na amizade “por satisfação”, quando os interesses de uma pessoa mudam, ou quando alguém se muda e não está mais por perto para compartilhar os momentos “de diversão”, provavelmente a amizade se esvanece. Isso ajuda a explicar porque a amizade entre os jovens muda com tanta rapidez. No processo de mudança do colégio para a faculdade e depois para o mundo profissional eles amadurecem, e seus interesses, valores, convicções morais e localizações geográficas tendem a sofrer muitas mudanças. Se suas amizades nesse período de transição não está baseado em algo mais profundo do que o simples fato de viverem no mesmo dormitório, praticar o mesmo esporte, e se divertirem juntos, as amizades provavelmente se dissolverão com o tempo.

Essas amizades baseadas em momentos de “diversão” juntos tendem a não continuarem depois que as experiências agradáveis não se encontram mais ali para serem compartilhadas.

Amizade virtuosa

Para Aristóteles, a terceira forma de amizade é a amizade no sentido pleno. Pode ser chamada amizade virtuosa porque os dois amigos estão unidos não por interesses próprios, mas por interesse em um objetivo comum: a “vida virtuosa”, a vida moral que se encontra na virtude.

O problema das amizades por prazer ou utilidade é que a ênfase está no que eu obtenho com ela. Entretanto, na amizade virtuosa, os dois amigos estão comprometidos em alcançar algo fora de si mesmos, algo que vai além de seus interesses pessoais. E esse bem maior é o que os une na amizade. Lutando lado a lado pela vida virtuosa, e encorajando um ao outro na vivência das virtudes, o amigo verdadeiro não se preocupa com o que vai obter do relacionamento, mas com o que é melhor para seu amigo e se preocupa em alcançar a vida virtuosa com seu amigo.

O que faz iniciar ou terminar um relacionamento

Com esse contexto em mente, o Papa João Paulo II nos fornecer a chave para evitar que nossos relacionamentos caiam nas águas egoístas do utilitarianismo. Ele diz que a única maneira de dois seres humanos evitarem usar um ao outro é se relacionar em vista de um bem comum, como na amizade virtuosa. Se a outra pessoa vê o que é bom para mim, e adota isso como bem para si própria, “estabelece-se uma ligação especial entre eu e essa outra pessoa: a união de um bem comum e de um objetivo em comum”. Esse objetivo comum une as pessoas interiormente. Quando não vivemos nossos relacionamentos com esse bem comum em mente, inevitavelmente trataremos a outra pessoa como um meio para um fim, para algum prazer ou uso.

Especialmente no casamento, há uma tentação a se portar de forma egoísta, a querer que o cônjuge ou os filhos se adaptem a nossos próprios planos, agendas e desejos. Por exemplo, quando se aproxima o final de semana, eu posso pensar apenas nas coisas que quero fazer – projetos que desejo completar em casa, trabalho que preciso realizar, eventos esportivos que quero assistir – sem dar prioridade ao que meu cônjuge ou meus filhos possas precisar de mim. Eu posso alegremente concordar em gastar dinheiro com coisas que são importantes para mim, mas resistir firmemente aos desejos de minha mulher de investir em algo que não me beneficia diretamente, mesmo sendo importante para nossa família.

Entretanto, o Papa João Paulo II nos lembra que a amizade verdadeira, especialmente a amizade no matrimônio, deve ser centrada na união por um bem comum. No matrimônio cristão, esse objetivo comum envolve a união dos esposos, e o serviço um ao outro, ajudando um ao outro a crescer em santidade, e também a procriação e a educação dos filhos.

Nossas próprias preferências e agendas devem estar subordinadas a esses bens maiores. Marido e mulher devem estar subordinados um ao outro para o bem dos filhos, buscando evitar que qualquer individualismo egoísta atrapalhe a família. Como em um time, marido e mulher trabalham em prol desse bem comum, e discernem juntos como usar melhor seu tempo, energia e recursos para atingir esses bens comuns do matrimônio.

O Papa João Paulo II explica como a união em torno desse bem comum garante que uma pessoa não esteja sendo usada ou negligenciada por outra. “Quando duas pessoas diferentes conscientemente escolhem um objetivo comum, isso as coloca em igualdade e afasta a possibilidade de uma estar sendo subordinada a outra. Ambas... por assim dizer... estão subordinadas àquele bem que constitui o objetivo comum”.

Sem essa finalidade comum, nossos relacionamentos inevitavelmente cairão em algum tipo de utilização da outra pessoa para nosso benefício ou prazer. No próximo artigo, consideraremos quão crucial esses pontos fundamentais de “Amor e Responsabilidade” são no trato com as atrações emocionais e físicas que tantas vezes experimentamos quando encontramos pessoas do outro sexo.

__________
Notas:
(1) Janet Smith, “John Paul II and Humanae Vitae” in Why Humanae Vitae was Right (San Francisco: Ignatius Press, 1993), 232.
(2) For a more extensive treatment of friendship in Aristotle, see J. Cuddeback, Friendship: The Art of Happiness (Greeley, CO: Epic, 2003).


O Autor: Edward Sri é professor assistente de Teologia do Benedictine College em Atchinson, Kansas, Estados Unidos, e autor de vários livros de Teologia e espiritualidade.

MCS - GO SDS - 03/2012

26 de out. de 2011

Precisamos de Santos


Precisamos de Santos sem véu ou batina.
Precisamos de Santos de calças jeans e tênis.
Precisamos de Santos que vão ao cinema,
ouvem música e passeiam com os amigos.

Precisamos de Santos que coloquem Deus em primeiro lugar, mas que se "lascam" na faculdade.

Precisamos de Santos que tenham tempo todo dia para rezar e que saibam namorar na pureza e castidade, ou que consagrem sua castidade.

Precisamos de Santos modernos, Santos do século XXI com uma espiritualidade inserida em nosso tempo.

Precisamos de Santos comprometidos com os pobres e as necessárias mudanças sociais.

Precisamos de Santos que vivam no mundo se santifiquem no mundo, que não tenham medo de viver no mundo.

Precisamos de Santos que bebam Coca-Cola e comam hot dog, que usem jeans, que sejam internautas, que escutem disc-man.

Precisamos de Santos que amem a Eucaristia e que não tenham vergonha de tomar um refrigerante ou comer pizza no fim-de-semana com os amigos.

Precisamos de Santos que gostem de cinema, de teatro, de música, de dança, de esporte.

Precisamos de Santos sociáveis, abertos, normais, amigos, alegres, companheiros.

" Precisamos de Santos que estejam no mundo; e saibam saborear as coisas puras e boas do mundo mas que não sejam mundanos"

MCS - GO SDS - 11/2010

19 de set. de 2011

Operários da vinha


A parábola dos trabalhadores enviados para trabalhar na vinha em horas diferentes do dia sempre criou perplexidade para as pessoas que a leem com os olhos voltados apenas para o interesse do capital. Estamos no XXV domingo do Tempo Comum e o texto do Evangelho é Mt 20,1-16a). A pergunta que ressoa no coração das pessoas é se é aceitável o modo de fazer do patrão que dá o mesmo pagamento para quem trabalhou um dia inteiro e a quem trabalhou uma hora por dia. Não viola, isso, o princípio da justa recompensa?

Os sindicatos se levantariam em coro, hoje, se alguém fizesse o que fez esse patrão. A dificuldade surge a partir de um mal-entendido. Considera-se o problema da recompensa em abstrato ou, e, em geral, em referência à recompensa eterna no céu. Visto dessa maneira, ele realmente contradiz o princípio de que Deus "dá a cada um segundo suas obras" (Rm 2, 6).

Mas Jesus está se referindo a uma situação concreta, a um caso muito específico. O único dinheiro que é dado a todo o Reino dos Céus que Jesus trouxe à Terra é a oportunidade de fazer parte da salvação messiânica. A parábola começa dizendo: "O reino dos céus é semelhante a um proprietário que saiu...". O problema é, mais uma vez, aquele da posição de judeus e gentios, ou de justos e pecadores, em relação à salvação anunciada por Jesus. Também se os pagãos (respectivamente, os pecadores, os cobradores de impostos, as prostitutas etc.) somente diante da pregação de Jesus decidiram-se por Deus, enquanto antes estavam distantes ("ociosos") e nem por isso ocuparão uma posição diferente no Reino ou inferior. Também esses sentarão à mesma mesa e desfrutarão da plenitude dos bens messiânicos. Na verdade, porque esses se demonstram mais dispostos a aceitar o Evangelho, do que aqueles chamados "justos"; eis que se realiza aqui o que Jesus diz na conclusão da parábola de hoje: "Os últimos serão os primeiros e os primeiros últimos".

A parábola contém um ensinamento de ordem espiritual da máxima importância: Deus chama a todos e chama em todas as horas. O problema, é, em suma, da chamada, mais do que aquele da recompensa. Esta é a maneira com que esta parabóla foi utilizada na exortação de João Paulo II sobre a "vocação e missão dos leigos na Igreja e no mundo" (Christifideles laici). "Os fiéis leigos pertencem àquele povo de Deus que é prefigurado aos trabalhadores da vinha... Ide também vós para a minha vinha. A chamada não é apenas para os pastores, sacerdotes, religiosos e religiosas, mas estende-se a todos. Mesmo os fiéis são pessoalmente chamados pelo Senhor "(CL 1-2).

Mas assim mesmo podemos reflletir sobre uma questão social importante: o problema do desemprego. Quando perguntou ao mestre: "Por que estais aqui ociosos o dia todo"? Os trabalhadores disseram: "Ninguém nos contratou". Esta resposta poderia ser dada hoje por milhões de desempregados que se encontram sem ocupação.

Na paróbola aparece o patrão que ao ver os trabalhadores desempregados às cinco da tarde concorda em levá-los mesmo quando eles serão inúteis no trabalho, só para lhes dar a dignidade, ao menos para lhes oferecer a oportunidade de ter um salário e sustentar sua família. Nós ouvimos como foi feito o acordo com os trabalhadores na primeira hora: uma quantidade de dinheiro será a sua recompensa. No momento do pagamento, o proprietário começa a pagar a partir dos últimos, dando-lhes a mesma quantia que tinha combinado com os primeiros. Então, pensaram os primeiros, a nós dará mais que o combinado. Entretanto, também esses recebem o mesmo que os últimos, ou seja, o que havia sido combinado. Ficam chateados, é claro, e murmuram entre si. Eles estão certos, podemos pensar, afinal esta atitude não está correta, pois muitos de nós com eles iríamos protestar, pedindo algum dinheiro a mais. Mas aquilo que receberam, no tempo de Jesus, era o salário mínimo diário, a fim de alimentar uma família... O patrão se preocupa e faz o bem. É bom e correto e depois revela a maldade escondida pelos primeiros trabalhadores. Antes da justiça existe a misericórdia, acima da lei e do contrato existe a atenção pela sobrevivência.
Aquele patrão sabe que os trabalhadores da última hora têm as mesmas necessidades dos outros; eles também têm filhos para alimentar, como há aqueles da primeira hora. Dando a todos o mesmo pagamento, o patrão mostra não só levar em conta os méritos, mas também a necessidade, diferentemente da mentalidade utilitarista, baseada exclusivamente em premiar o mérito (com frequência mais nominal que real) e pela antiguidade, e não sob as necessidades de cada pessoa. A parábola dos trabalhadores da vinha nos convida a encontrar um equilíbrio mais justo entre as duas exigências: do mérito e da necessidade.

No contexto da vinha do Senhor, neste domingo, 18 de setembro, recebemos em São Paulo, oriunda de Madrid, a Cruz e o ícone de Nossa Senhora, que vão peregrinar pelo Brasil e parte da América Latina em preparação à JMJ 2013 Rio de Janeiro. Que estes sinais da nossa fé nos animem a nos preparar condignamente para participar da Vinha do Senhor!
MCS - GO SDS - 09/2011

9 de set. de 2011

BBC desfaz calúnias sobre a Inquisição

Talvez nenhuma instituição tenha sido tão denegrida, e com tanta fúria, ao longo dos tempos, quanto a Inquisição, sobretudo a Inquisição espanhola.

Contra ela falou-se cobras e lagartos. As criancinhas, nos primeiros anos de vida escolar, já eram assustadas com fogueiras onde se queimavam vítimas inocentes, torturas em fim, sentenças sem julgamento e por aí a fora. E as acusações se repetiam continuamente nos cursos superiores, na mídia, de boca em boca etc.

O próprio leitor deve ter ouvido muitos ataques contra a Inquisição, sempre agitada como um espantalho. De uns tempos para cá, porém, o desejo de realizar estudos sérios por parte de muitos historiadores de peso, levou-os a debruçar-se sobre os documentos relativos à Inquisição. E a verdade brilhou. A Inquisição era inocente dos crimes que a acusavam.Livros passaram a ser publicados, desfazendo a "legenda negra", e mostrando como os castigos aplicados pela Inquisição não só foram moderados, mas muito reduzidos em número; e mediante provas obtidas em processos escrupulosamente regulares.

Agora, também a insuspeita emissora BBC de Londres vem refutar o mito da Inquisição como paradigma de terror. A notícia nos vem através do diário madrilenho "El Pais" (8-11-94), em artigo de Lola Galán, intitulado "A falsa história da Inquisição espanhola". Diz ela: "As sinistras salas de tortura dotadas de rodas dentadas, engrenagens quebra-ossos, grilhões e demais mecanismos aterradores só existiram na imaginação de seus detratores. O Santo Oficio (nome do Tribunal da Inquisição) viu-se frente a uma gigantesca máquina propagandística.”

"Domingo, num programa noturno de maior audiência - Time Watch - a BBC mostrou o verdadeiro rosto do tribunal criado pelos Reis Católicos contra a heresia. Peritos do porte de Henry Kemen, Stephen Haliczer ou os professores José Álvares Junco e Jaime Contreras reconstituíram a verdadeira fisionomia de uma instituição intencionalmente desvirtuada.

"Em cerca de 7 mil casos, aplica-se apenas em 2% algo parecido com a tortura. Em 350 anos de história, enquanto a lenda fala de milhões de assassinatos, a cifra real de vítimas situa-se entre 5 a 7 mil pessoas.

"É paradoxal que tenha sido a prestigiosa BBC, a televisão estatal britânica, a encarregada de reconstituir a imagem de uma instituição espanhola".

É curioso notar que muitos dos detratores de Inquisição diziam-se admiradores da Revolução Francesa, a qual comprovadamente cometeu crimes horrendos.

Citado em: Dlistar

Estudos mais recente e completo:
Em dados mais recentes, o historiador Agostino Borromeu, informou que o número de mortos não chegou a 100 condenados.

(...) O especialista constatou que, à «lenda negra» criada contra a Inquisição em países protestantes, opôs uma apologética católica propagandista que, em nenhum dos casos, ajudava a conseguir uma visão objetiva. Isto se deve, entre outras coisas --indicou--, ao «grande passo adiante» dado pela abertura dos arquivos secretos da Congregação para a Doutrina da Fé (antigo Santo Ofício), ordenada por João Paulo II em 1998, onde se encontra uma base documental amplíssima. Borromeu ilustrou alguns dos dados possibilitados pelas «Atas do Simpósio Internacional “A Inquisição”».

A Inquisição na Espanha, afirmou, em referência ao tribunal mais conhecido, celebrou entre 1540 e 1700, 44.674 juízos. Os acusados condenados à morte foram 1,8% e, destes, 1,7% foi condenado em «contumácia», ou seja, pessoas de paradeiro desconhecido ou que em seu lugar se queimavam ou enforcavam bonecos.
Pelo que se refere às famosas «caçadas de bruxas», o historiador constatou que os tribunais eclesiásticos foram muito mais indulgentes que os civis. Dos 125.000 processos de sua história, a Inquisição espanhola condenou à morte 59 «bruxas». Na Itália, acrescentou, foram 36 e em Portugal 4.

«Se somarmos estes dados --comentou o historiador-- não se chega nem sequer a cem casos, contra as 50.000 pessoas condenadas à fogueira, em sua maioria pelos tribunais civis, em um total de cem mil processos (civis e eclesiásticos) celebrados em toda Europa durante a Idade Média». (...)

Dcartas

A verdade sobre a Iquisição


MCS - GO SDS - 09/2011


26 de ago. de 2011

Juiz de Fora terá a 1ª paróquia dedicada a João Paulo II



Paula Dizaró / CN Roma

João Paulo II foi proclamado Beato pelo Papa Bento XVI no dia 1º de maio de 2011.
 
A Arquidiocese de Juiz de Fora vai ter a primeira paróquia do Brasil, autorizada pela Santa Sé, com o nome de Beato João Paulo II. O anúncio foi feito nessa quarta-feira, 24, pelo Arcebispo metropolitano, Dom Gil Antônio Moreira, durante a Atualização do Clero da Província Eclesiástica de Juiz de Fora. A festa oficial de criação da Paróquia (com matriz na Rua Jeci Firmino Pinheiro, 30, bairro Nova Era) acontece no dia 22 de outubro.

Nesta semana, Dom Gil, recebeu a confirmação de Roma de que esta é a primeira paróquia autorizada do Brasil a ter o nome do Beato João Paulo II. De acordo com o arcebispo, outras dioceses do Brasil fizeram o pedido de criação de paróquia com o nome do saudoso Papa, mas a Igreja Particular de Juiz de Fora foi a primeira a fazer a solicitação. No dia 1º de julho deste ano, o Vaticano enviou um decreto autorizando a Arquidiocese a criar uma paróquia dedicada ao novo beato.

O sacerdote nomeado para a comunidade é padre João Francisco Batista da Silva que já iniciou o serviço pastoral na nova comunidade no dia 18 de maio deste ano (na época ainda sem definição de padroeiro). “Antes de fazer o pedido ao Vaticano, Dom Gil conversou com povo para saber a opinião deles. É uma alegria muito grande e uma honra termos a primeira paróquia do Brasil que vai prestar essa homenagem”, relata.

De acordo com as normas da Igreja, a veneração a um beato é restrita, ou seja, não é toda paróquia que pode celebrar a festa, apenas aquela que o tem como padroeiro. Assim o sacerdote acredita que o olhar de todo o Brasil vai se voltar para a cidade por estar recordando o saudoso Pontífice.

A comunidade resulta da divisão do território da atual Paróquia Nossa Senhora de Fátima (bairro Santa Cruz). Além de Nova Era, ela abrange os bairros: Jardim dos Alfineiros, Santa Lucia, Nova Era II e Jardim Santa Isabel.
MCS - GO SDS - 08/2011

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